Eu já mencionei a edição original de 1830, mas houve na verdade uma variedade de edições de 1830 com diferenças extremamente pequenas, geralmente tipográficas introduzidas na impressão. As edições de 1830 foram produzidas sob circunstâncias difíceis incluindo pressão de tempo, perseguição, pobreza e tecnologia rudimentar, fatores que fariam com que pequenos erros fossem difíceis de ser evitados. Por exemplo, no processo de passar de um ditado verbal para um manuscrito original escrito e daí para uma separada cópia manuscrita do impressor para finalmente o conjunto de tipos da versão do livro, houve muitas oportunidades para erros tipográficos e outros erros menores. Uma circunstância difícil era o fato de que o próprio editor era não amigável com a Igreja. Isto pouco fez para que o texto fosse tratado com grande cuidado e respeito durante o processo de publicação. Conforme Joseph Fielding Smith explicou (Respostas para perguntas do Evangelho, Vol.2, p.200),
"Sendo nada amigável, teria sido uma coisa natural para (o editor) permitir alguns erros aparecer. Um cheque cuidadoso da lista de mudanças submetidas pelos... críticos mostram que não há uma só mudança ou adição que não esteja em completa harmonia com o texto original. Mudanças têm sido feitas em pontuação e em alguns outros pequenos problemas que necessitam de correção, mas nunca qualquer alteração ou adição mudou uma simples idéia original. Conforme aparece para nós, as mudanças mencionadas são tais que tornam o texto mais claro e indicam que ela foram omitidas. Tenho certeza de que os erros ou omissões na primeira edição foram em larga medida devido a falta do compositor ou do impressor. Muitos destes erros que estavam nas primeiras provas foram apanhados pelo próprio Joseph Smith e ele fez as correções.
O impressor tem mesmo sido citado como dizendo ter permitido muitos erros "não gramaticais" de ser impressos.
Uma boa visão geral das várias edições do Livro de Mórmon que têm sido publicadas desde 1830 se encontram num artigo por Royal Skousen na Enciclopédia do Mormonismo, Vol. 1, intitulado "Edições do Livro de Mórmon (1830-1981)," das quais eu coto:
Quatro edições foram publicadas durante a vida de Joseph Smith:
1. 1830: 5.000 cópias; publicado por E.B. Grandin em Palmyra, New York. Em geral, a primeira edição é uma cópia fiel do manuscrito do impressor (embora em uma ocasião o manuscrito original, ao invés da cópia do impressor foi usado para colocação dos tipos). Como um todo, esta edição reproduz o que o compositor, John H. Gilbert considerou "erros" gramaticais. Gilbert acrescentou pontuação e determinou o parafraseamento da primeira edição...Nesta e em todas edições antigas, não havia versificação.
2. 1837: 3.000 ou 5.000 cópias; publicado por Parley P. Pratt e John Goodson, Kirtland, Ohio. Para esta edição, centenas de mudanças gramaticais e umas poucas correções foram feitas no texto. A edição de 1830 e o manuscrito do impressor foram usados como base para esta edição.
3. 1840: 2.000 cópias; publicado por Ebenezer Robinson e Don Carlos Smith (por Shepard e Stearns, Cincinati, Ohio), Nauvoo, Illinois. Joseph comparou o texto impresso com o manuscrito original e descobriu um número de erros feitos ao copiar o manuscrito do impressor do original. Dessa forma a edição de 1840 restaura alguns dos escritos do manuscrito original.
4. 1841:… essencialmente uma reimpressão da edição de 1837 com ortografia Britânica.
Duas edições adicionais, uma em 1849 (editada por Orson Pratt) e a outra em 1852 (editada por Fraklin D. Richards), mostram pequenas edições do texto. Na edição de 1852, Richards acrescentou números aos parágrafos para ajudar em encontrar as passagens, desta forma criando a primeira - embora primitiva – versificação do Livro de Mórmon.
Outras três importantes edições SUD envolveram mudanças principais no formato assim como pequenas correções editoriais:
1. 1879: Editado por Orson Pratt. Mudanças principais no formato do texto incluem divisões dos longos capítulos do texto original, um real sistema de versificação (que tem sido seguido em todas edições SUD subseqüentes), e notas de rodapé (a maioria referências escriturísticas).
2. 1920: Editado por James E. Talmage. Mudanças adicionais em formato incluíam material introdutório, colunas duplas, sumários de capítulos e notas novas de rodapé. Algumas pequenas mudanças editoriais encontradas nesta edição apareceram primeiramente nas edições de 1905 e 1911 também sob o trabalho editorial de Talmage.
3. 1981: Editado por um comitê encabeçado pelos membros do Quórum dos Doze. Esta edição é principalmente um retrabalho da edição de 1920: O texto aparece novamente em colunas duplas, mas novo material introdutório, sumário de capítulos e notas de rodapé são providenciadas. Cerca de vinte erros textuais significantes que entraram no manuscrito do impressor são corrigidos pela referência do manuscrito original. Outras correções foram feitas em comparação com o manuscrito do impressor e a edição de 1840 de Nauvoo.
Para compreender a história de algumas das edições dadas acima, é útil entender a relação entre os dois manuscritos do Livro de Mórmon. Royal Skousen novamente providencia informação útil em seu artigo, "Manuscritos do Livro de Mórmon", na Enciclopédia do Mormonismo, Vol. 1:
As versões impressas do Livro de Mórmon derivam de dois manuscritos. O primeiro, chamado o manuscrito original (O), foi escrito por pelo menos três escribas conforme Joseph traduzia e ditava. O escriba mais importante foi Oliver Cowdery. Este manuscrito começou não mais tarde do que Abril de 1829 e terminou em Junho de 1829.
Uma cópia do original foi então feita por Oliver Cowdery e dois outros escribas. Esta cópia é chamada o manuscrito do impressor (P), uma vez que foi aquela normalmente utilizada para agrupar os tipos da primeira (1830) do Livro de Mórmon. Começou em Julho de 1829 e terminou em Março de 1830.
O manuscrito do impressor não é uma cópia exata do manuscrito original. Existem em media três mudanças por página do manuscrito original. Estas mudanças parecem ser erros naturais dos escribas; há pouca ou nenhuma evidência de editoração consciente. As maiorias das mudanças são pequenas e cerca de uma em cada cinco produz uma diferença discernível em significado. Porque são todas relativamente pequenas, a maioria dos erros então introduzidos no texto permaneceram nas edições impressas do Livro de Mórmon e não foram detectadas e corrigidas exceto pela referência ao manuscrito original. Cerca de 20 destes erros foram corrigidos na edição de 1981.
O compositor da edição de 1830 acrescentou pontuação, paráfrases, e outras marcas de impressão a cerca de um terço das páginas do manuscrito do impressor. Estas mesmas marcas aparecem em um fragmento do original, indicando que foi utilizado pelo menos uma vez na colocação dos tipos na edição de 1830.
Em preparação para a Segunda edição (1837), centenas de mudanças gramaticais e umas poucas correções textuais foram feitas em (P). Após a publicação desta edição, (P) ficou retida por Oliver Cowdery. Após sua morte em 1850, seu cunhado, David Whitmer, guardou (P) até sua morte em 1888. Em 1903 o neto de Whitmer vendeu (P) para a Igreja Reorganizada de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a qual o detém hoje...
O manuscrito original não foi consultado para a editoração da edição de 1837. No entanto, ao produzir a edição de 1840, Joseph Smith usou (O) para restaurar algumas de suas leituras originais. Em outubro de 1841, Joseph Smith depositou (O) na colocação da pedra fundamental da Casa de Nauvoo. Mais de quarenta anos mais tarde, Lewis Bidamon, segundo marido de Emma Smith, abriu os alicerces da Casa de Nauvoo e descobriu infiltração de água havia destruído a maior parte do (O). As páginas remanescentes foram entregues a vários indivíduos durante os anos de 1880.
Hoje aproximadamente 25% do texto do (O) sobreviveu: 1 Néfi 2 até 2 Néfi 1, com lacunas; Alma 22 até Helamã 3, com lacunas; e uns poucos outros fragmentos. Todas exceto uma das páginas autênticas e fragmentos do (O) são guardados nos arquivos do Departamento Histórico SUD; metade de uma página (com I Néfi 14) é mantida em propriedade da Universidade de Utah.
Baseado num exame dos 25% mais ou menos do Manuscrito Original que sobreviveu, pode-se concluir que "Joseph Smith", conforme traduzia, aparentemente nunca voltou para trás a fim de cruzar, checar, revisar ou modificar. As páginas do manuscrito contêm as palavras escritas pelos escribas de Joseph (primariamente Oliver Cowdery) conforme o profeta falava a tradução "(Re-explorando o Livro de Mórmon, p.10)".
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