A mais comumente mudança criticada envolve o esclarecimento três vezes de que membro da Deidade estava se referindo em uma passagem (I Néfi 11) descrevendo o futuro ministério de Cristo e a “condescendência de Deus.” Robert L. Millet explica o que foi alterado em O Poder da Palavra: Doutrinas de Salvação do Livro de Mórmon, Salt Lake City: Deseret Book Company (1994), pp. 11-12:
A condescendência de Deus o Filho consiste na vinda à Terra do grande Jeová, o Senhor Deus Onipotente, o Deus dos antigos. A edição de 1830 do Livro de Mórmon contém as seguintes palavras do anjo para Néfi: “Eis, que a virgem que vês é a mãe de Deus, segundo a carne” (I Néfi 11:18). O anjo mais adiante disse a Néfi concernente a visão do infante Cristo, “Eis o Cordeiro de Deus, sim, o Pai Eterno!” (I Néfi 11:21; compare com I Néfi 13:40, edição de 1830, onde a condição de Filho é mais bem declarada). Mais tarde na mesma visão do ministério de Cristo, o anjo falou, dizendo, “Olha! E olhei,” Néfi acrescenta, “e vi o Cordeiro de Deus ser levado pelo povo; sim, o Deus eterno foi julgado pelo mundo; e vi e testifico” (I Néfi 11:32). Na edição de 1837 do Livro de Mórmon, Joseph Smith o profeta mudou estes versículos para que se lesse “a mãe do Filho de Deus,” “o Filho do Pai Eterno” e “o Filho do Eterno Deus,” respectivamente. Parece que o profeta fez estas alterações textuais a fim de assistir os Santos dos Últimos Dias na total compreensão do sentido destas expressões.
Também pode ser que Joseph alterou estes versículos para certificar-se que nenhum leitor – membro ou não membro – pudesse confundir a compreensão dos Santos dos Últimos Dias do Pai e do Filho com aquela de outras denominações cristãs, particularmente da Igreja Católica Romana. Veja um artigo por Oliver Cowdery, “Problemas no Oeste,” no Mensageiro e Advogado dos Santos dos Últimos Dias, I (Abril 1835), p. 105. [Este parágrafo é uma nota de rodapé do parágrafo anterior no livro de Millet.]
Hugh Nibley também discorre sobre estas mudanças (Since Cumorah, p. 6):
Na primeira edição Maria é referida como a “mãe de Deus, segundo a carne” (I Néfi 11:18); a inserção em edições posteriores de “do Filho de Deus” é simplesmente inserida para deixar claro que a segunda pessoa da Deidade está sendo referida, e portanto evitar confusão, uma vez que durante as controvérsias teológicas do começo da Idade Média a expressão “mãe de Deus” tomou uma conotação especial o qual perdura para muitos cristãos.
Três versículos adiante (I Néfi 11:21), a declaração do anjo, “Eis o Cordeiro de Deus, sim, mesmo o Pai Eterno!” tem sido remodelado em edições posteriores para “mesmo o Filho do Pai Eterno!” para evitar confusão: nesta passagem o Pai Eterno está possivelmente em aposição não ao “Cordeiro” mas a “Deus” – ele é o Cordeiro de Deus-o-Pai-Eterno. Mas isso poderia não ser óbvio para a maioria dos leitores, e então para evitar confusão, e sem ao mínimo alterar o sentido do texto, o Cordeiro de Deus é feito equivalente ao Filho do Pai Eterno. Ambas idéias estão bem corretas e não há conflitos entre elas.
Muitos críticos têm tentado dizer que Joseph originalmente acreditava no conceito Trinitarista de Deus quando ele escreveu o Livro de Mórmon, mas posteriormente mudou de idéia e mudou o texto para indicar que Deus e o Filho de Deus são personagens distintos. Este argumento é sem fundamento. O manuscrito original (O) e cada versão impressa do Livro de Mórmon tornam claro em múltiplas passagens que Cristo e Deus são seres distintos (e.g. 2 Néfi 25 e 2 Néfi 31). Até mesmo no capítulo onde Joseph Smith fez as alterações, o Manuscrito Original e o atual Livro de Mórmon falam do Messias como o Filho de Deus, no versículo 24 de I Néfi lemos: "E eu olhei, e observei o Filho de Deus indo entre os filhos dos homens; e vi muitos caindo aos seus pés e adorando-o." Isto está consistente com as alterações feitas por Joseph. Não há nenhuma mudança de sentido, apenas uma clarificação auxiliar para leitores modernos.
Embora Deus o Pai e Cristo sejam seres distintos, Cristo como um membro da Deidade perfeitamente unida pode sustentar o título de "Deus" assim como de "Pai Eterno." Os escritores do Livro de Mórmon viveram muito tempo antes que a confusa, pós-bíblica doutrina neo-Platônica da Trindade tivesse sido formulada. Eles podiam usar os vários títulos de Cristo sem se confundirem no que queriam dizer (compare Mosías 15:4; 16:15; Alma 11:38-39). No entanto, para o benefício de leitores modernos as alterações anotadas acima no Livro de Mórmon ajudam a eliminar potenciais confusões.
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