Enquanto alterações nas versões impressas do Livro de Mórmon têm recebido a maioria das atenções, existem algumas diferenças entre o Manuscrito do Impressor (P) e o Manuscrito Original (O). Uma visão geral das diferenças é dada em Reexplorando o Livro de Mórmon, pp. 10-11:
Algumas dúzias de diferenças entre o Manuscrito Original e o Manuscrito do Impressor, nunca antes notadas, têm sido detectadas. Por exemplo, Zenock e grafado "Zenoch" no manuscrito original (esta grafia compara-se com aquela de Enoch, em Inglês). Em Alma 51:15, o Manuscrito Original relata que Morôni enviou uma petição ao governador "desejando que ele deveria (heed it)." A edição de 1830 dispõe esta frase como "desejando que ele deveria lê-la (read it)". Em Alma 54:17, o Manuscrito Original faz a asserção de que os Lamanitas declaravam que o governo "justamente (rightfully) lhes pertenciam". No manuscrito do Impressor, esta palavra torna-se "prontamente" (rightly). Em outros exemplos, "forçando (pressing) seus caminhos" viram "sentindo (felling) seus" caminhos" (I Néfi 8:31), um "foram" (were) transforma-se em "foi" (was) (1 Néfi 13:12), e um "deverá" (shall) torna-se um "deveria" (should ) (1 Néfi 17:50). "Ouvi e vede" torna-se "vede e ouvi" (1 Néfi 20:6), e a "mais pobre classe do povo" torna-se a "a classe pobre do povo" (Alma 32:2).
Analisando as alterações rende algumas observações importantes sobre os manuscritos:
1. As diferenças entre o Manuscrito Original e o Manuscrito do Impressor são poucas. Apenas cerca de uma diferença por página de manuscrito existe – de longe muito menos do que alguém pudesse ter esperado.
2. As diferenças entre o Manuscrito do Impressor e o Manuscrito Original são pequenas, e a maioria dos erros são erros naturais de transcrição. O Manuscrito do Impressor não mostra nenhum sinal de qualquer editoração consciente da parte de Oliver Cowdery. Estes manuscritos mostram que ele foi cuidadoso em reproduzir exatamente o que tinha sido rapidamente escrito no Manuscrito Original.
3. Tão bom quanto o Manuscrito do Impressor é, o Manuscrito original é ainda melhor. Das trinta e sete diferenças na transcrição observadas até agora, dezessete delas mostram que a leitura no manuscrito do impressor tornara-se mais desajeitada ou imprópria gramaticalmente ou não usual. Em apenas sete casos era o Manuscrito Original mais difícil de entender, devido, por exemplo, a ortografias atípicas ou gramáticas estranhas (como hebraísmos).
4. Surpreendentemente, os erros copiados no Manuscrito do Impressor tendem a tornar o texto mais curto ao invés de mais longo. Das trinta e sete diferenças, apenas duas mudaram uma palavra mais curta para uma mais longa, enquanto em sete casos uma palavra mais longa foi contraída para uma mais curta. Isto é intrigante porque pessoas trabalhando com manuscritos bíblicos geralmente assumem que os textos tendem a crescer à medida que transmissões dos escribas as alteram. A experiência de Oliver Cowdery manifesta uma tendência oposta.
Acima de tudo, um exame cuidadoso destes manuscritos rende evidência sólida de que Oliver Cowdery foi verdadeiro ao seu chamado como um escriba. Embora muito do Manuscrito Original não sobreviveu, podemos razoavelmente estimar que Oliver copiou o Livro de Mórmon para o Manuscrito do Impressor com apenas 140 diferenças – todas elas aparentemente simples deslizes da mão ou do olho. Considerando a tarefa de escrever com uma pena de tinteiro e a magnitude do trabalho, a acuidade da transcrição de Oliver parece quase fenomenal.
Baseado numa pesquisa por Royal Skousen, Dezembro de 1988. Trabalhos com os manuscritos do Livro de Mórmon continuam. Para o último relato detalhado, veja Royal Skousen, "Em direção a uma Edição Crítica do Livro de Mórmon", BYU Studies 30 (Inverno de 1990): 41-69. Para informações sobre as mais recentes descobertas de vários fragmentos do Manuscrito origianl, veja o periódico da F.A.R.M.S., Insights (Janeiro de 1991).
Hugh Nibley providencia uma visão geral das mudanças introduzidas na impressão do Livro de Mórmon em "A Partir de Cumorah, pp. 3-5":
Por que, então tem os críticos se escandalizados e se deleitados em descobrir que a segunda edição do Livro de Mórmon corrigiu muitos erros da primeira? Por anos este escritor apenas usou a primeira edição em suas aulas, e ainda é de longe a melhor. Está cheio de erros, mas estes são óbvios. De acordo com o impressor, J.H. Gilbert, Joseph Smith lhe disse para deixar a gramática inalterada, uma vez que o "Velho Testamento é não gramatical." [ A declaração de Gilbert encontra-se na Primeira Impressão do Livro de Mórmon p.2, um memorando feito por John H. Gilbert, 8 de Setembro de 1892; original nos arquivos da Igreja SUD; reimpresso em Wilford C. Wood, Joseph Smith inicia seu trabalho (Salt Lake City: Deseret, 1958), 1: [xxviii].] Conforme veremos, estudos recentes dos profetas do Velho Testamento mostram que freqüentemente eles misturavam suas pessoas, números e tempos verbais em discursos fervorosos, exatamente como Abinadi faz na primeira edição do Livro de Mórmon páginas 182-83. Por outro lado, o Profeta deu a Gilbert carta branca com relação à pontuação e ortografia: "O Manuscrito", diz o impressor, "formava um sólido parágrafo, sem sinais de pontuação do começo ao fim." Imaginem 600 páginas disto! Como pode isto ser explicado exceto com a suposição de que o texto foi realmente ditado palavra por palavra por um homem sem educação formal para um outro? Não era nenhum ardil ou truque, desde que ninguém, mas o próprio impressor tivesse mencionado isto, e ele foi autorizado a corrigir o manuscrito onde achasse necessário. O manuscrito utilizado pelo impressor está hoje disponível, e mostra que Mr. Gilbert tomou algumas liberdades com o texto. Acreditamos ser Joseph Smith responsável quando lemos na primeira edição na página 69 cinco linhas a partir de baixo, "For my soul deliteth in the Scriptures" e apenas duas linhas abaixo que, "Behold my soul delighteth in the Scriptures?" Desde que pela sua própria admissão o impressor foi autorizado a corrigir a ortografia, não é ele culpado de colocar na quinta linha a partir de baixo da página 180: "Lamoni rehearst unto him" e na última linha de baixo "Now when Lamoni had rehearsed unto him".Ou quem é responsável pelo "peeple" (ao invés de "people") na página 127, após a palavra ter sido grafada corretamente uma centena d evezes? Se o impressor estivesse corrigindo a ortografia de Oliver Cowdery ele deveria ter corrigido estes errros; se não, o prórpio Cowdery tivera obviamente cometido deslizes e qualquer editor não estava apenas livre para corrigir os deslizes, mas também para ignorá-los. Se o impressor escolhe usar ou omitir um hífen ou uma vírgula é uma questão de pontuação e inteiramente dependente dele mesmo. "Havia alguns erros de impressão", escreveu Joseph Smith, e alguns ainda levantam suas mãos com horror, como se não existissem erros de impressão a serem encontrados em quase qualquer edição da Bíblia.
Um erro ocasional de impressão na Bíblia não perturba ninguém, tanto porque é esperado de acontecer e fácil de ser corrigido. Mudanças nas palavras para clarificar o Inglês também causam pouca ofensa. "A-going" e "a-journey" (Livro e Mórmon primeira edição, página 249) eram perfeitamente aceitáveis em uso na época e no local de Joseph Smith, mas não mais: conseqüentemente nós as alteramos nas edições modernas para não confundir os jovens, embora para este autor "a-going" e "a-journey" tem uma bela cor e sonoridade – uma vovó americana sempre falou desta forma. Na sua Bíblia em Inglês você encontrará muitas palavras em itálicos, estas são todas palavras não encontradas no original, e elas variam de edição para edição: elas são lá colocadas pelos vários tradutores numa tentativa de conceber tão claro quanto possível o que o pensamento dos escritores originais tinham em mente. Então você encontrará no mesmo segundo versículo de sua Bíblia do Rei Tiago a palavra "was" (foi) em itálicos – porque nos textos hebreus a palavra "was" (foi) simplesmente não está lá, mas a fim de fazer um bom Inglês ela tem de lá ser inserida. Se os homens podem tomar tais liberdades com a Bíblia, enquanto sustentando que ela seja um livro infalível, porque não deveríamos ser permitidos a mesma liberdade com o Livro de Mórmon o qual ninguém clama ser infalível?
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