Deus é EspíritoTexto: João 4.24
Introdução
A Bíblia define a natureza de Deus como sendo espiritual. Ou seja, não é composto de matéria e não possui uma natureza nem dimensões físicas. Não é pura energia ou puro pensamento, mas que tem um tipo de existência superior, que não pode ser percebida por nossos sentidos corpóreos.
Antecedente histórico
Desde os seus primórdios, as pessoas desenvolveram muitos conceitos sobre a existência de Deus e sua substância, alguns desses influenciados pelas correntes filosóficas.Teólogos influenciados pelo estoicismo, como Tertuliano, dada a sua cosmovisão materialista, pensavam em Deus como um Ser físico, ainda que feito de algum tipo de material leve e tênue, como o fogo. Os estoicos argumentavam que apenas um fator físico pode influenciar o mundo físico. Se Deus não fosse uma entidade física, ele não seria capaz de fazer nada e, por conseguinte, não existiria. Parece ser esta também a posição dos saduceus (At 23.8).Outros pensadores cristãos foram influenciados pelo platonismo, como Orígenes. Para estes, a distinção elaborada por Platão entre o mundo físico inferior, que vemos à nossa volta, e o mundo intelectual superior, que não vemos, mas é real, combinava perfeitamente com o Cristianismo. Segundo estes teólogos, Deus fazia parte do mundo intelectual e, por essa razão, não era um ser físico, não tinha um corpo material. A única possibilidade de encontrá-lo era por iniciativa da mente.Os mórmons, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, creem que Deus tem um corpo tangível. Joseph Smith, seu fundador, escreveu: “O Pai possui um corpo de carne e osso, tangível como o corpo humano. O Filho também. Mas o Espírito Santo não tem um corpo de carne e osso; ele é uma personificação do Espírito. Se não fosse assim, o Espírito Santo não poderia habitar em nós”.
O que “espírito” significa?
Quando a Palavra afirma que Deus é espírito, o que está querendo dizer? A palavra espírito é usada várias vezes com significados diversos. Quais apontam para Deus?
• Vento (Sl 11.6). No hebraico “vento tempestuoso” ou “espírito de tempestade”.• Respiração (Gn 6.17). • Anjos (Sl 104.4). Tanto os bons quanto os imundos (Mc 1.27)• Alma/espírito do homem (Ec 12.7); de Cristo (Jo 19.30); Deus é Deus “dos espíritos de toda a carne” (Nm 16.22).• Um ser sem carne (Is 31.3; Lc 24.39). • Disposição ou inclinação ativa (Nm 14.24; Dn 6.3).• Forte atividade (Os 4.12; Pv 29.11).
Quando a Bíblia diz que Deus é Espírito, ela quer transmitir que Deus é o somatório de todos os significados, ou seja: uma substância invisível e ativa que promove ações em Si e nos outros.
Implicações desta doutrina
a) Deus é infinito (2Cr 2.6; 6.18; Is 66.1,2; At 7.48). Deus não tem dimensões, nem mesmo infinitas. Ele não pode ser contido por nenhum espaço. Ele não é tão grande que Seu corpo esteja em um lugar e se estenda até outro ponto distante no universo. Deus não é um objeto como os demais, nem mesmo o maior que se possa imaginar. Ele não é uma coisa que possa ser encontrada no universo. Ele transcende o universo. Mais que isso: é ele, em última análise, quem permite que o universo exista.b) Deus é onipresente. Um corpo não pode encher o céu e a terra de uma só vez com tudo que é, pois, é limitado ao tempo e espaço. Mas, Deus é onipresente (Sl 139.7-10; Jr 23.23, 24). Deus não está sujeito às limitações do corpo físico, como o tempo ou o espaço (Jo 4.21; At 17.24). Ele não é infinitamente grande, mas está presente com todo o seu Ser em cada parte do universo, simultaneamente. Deus está presente, mas é distinto de toda a Sua criação. Ele está em todo o universo, mas não é o universo. É superior à toda a criação, pois é Criador. Assim, todo lugar é o lugar de se adorar a Deus (Jo 4.21), pois a adoração não diz respeito ao lugar, mas à condição espiritual de cada um.c) Deus é invisível. Paulo adiciona invisível como parte das perfeições de Deus (1Tm 1.17). A Sua divindade se entende pelas Suas obras que são visíveis, mas o Ser não é visível aos olhos materiais (Jo 1.18; 1Tm 6.16; Cl 1.15). Somente quando estivermos num corpo transformado veremos a Deus (1Co 13.12; 1Jo 3.2; Ap 22.3,4; Mt 5.8).d) Deus é o Ser Perfeito. Como a alma e espírito do homem corporal fazem dele o ser superior dentre todos os demais que tem corpos (animais), e como os anjos, que são espíritos sem corpos são superiores aos homens (Sl 8.5; Hb 2.7), Deus é mais perfeito do que a Sua criação por ser Espírito puro. O efeito não pode superar a Causa. Cada ser composto é criado e é em essência, finito e limitado, e assim sendo, longe de perfeição. Por Deus ser Luz sem trevas (1Jo 1.5) e sem sombra de mudança (Tg 1.17), sabemos que Ele é perfeito. Deus tem uma excelência acima de todos esses e assim sendo, está inteiramente removido das condições de um corpo. e) Por Deus ser Espírito, é tanto pecado quanto tolice fazer qualquer imagem ou desenho de Deus (Ex 20.5; Dt 5.8,9). Nossas mãos são tão incapazes de formar uma imagem dele ou desenhá-lo como são incapazes os nossos olhos de vê-lo. Que a proibição de fazer imagens de Deus para adorar ou ajudar na adoração é para todos os povos e de todos os tempos é clara, pois Ele julgará tanto o Seu povo quanto os pagãos por fazerem isto (Is 40.18-26; Rm 1.21-25). Tais pessoas que fazem as imagens e desenhos, reais ou imaginativos, são tão estúpidas quanto as imagens que fizeram (Sl 115.4-8).
Deus não tem corpo?
Muitos cristãos acreditavam não apenas que Deus era material e físico, mas também que possuía algo semelhante ao corpo humano. A Bíblia fala das mãos, ouvidos e rosto de Deus (Is 59.1,2), dos seus olhos (2Cr 7.15,16), das suas costas (Ex 33.23) e do seu braço (Dt 11.2).Por que a Bíblia atribui a Deus partes corporais? Estas devem ser consideradas como antropomórficas (tentativas de expressar a verdade sobre Deus por meio de analogias humanas) e simbólicas. Servem para trazer o infinito ao alcance da apreensão do finito. Estas representações aludem à Sua obra, em sentido figurado, e não à Sua natureza invisível. Nelas são manifestos os Seus interesses, poderes e atividades. Os olhos falam do Seu conhecimento (Dt 11.12; Sl 34.15); Seu braço e mão, da Sua eficiência e poder (Ez 20.33; Is 51.9; 52.10); os Seus ouvidos, da Sua onisciência e atenção (2Cr 7.15,16; Sl 34.15); a face, do Seu favor (Sl 27.9; 143.7); a boca, da revelação da Sua vontade (Jó 37.2; Pv 2.6); as narinas, da aceitação das nossas orações (Dt 33.10, cf Ap 8.3,4); o coração – a sinceridade das Suas afeições (Gn 6.6; 1Cr 17.19); os pés, da Sua presença (Is 60.13; 66.1); Seus ouvidos, da Sua prontidão em ouvir as súplicas dos oprimidos (Sl 34.15; Ne 1.6).Outra questão é que Deus algumas vezes aparece em forma humana (Gn 18.1,2,13; Js 5.13-15). Essas aparições são chamadas teofanias, sendo consideradas manifestações divinas que não comunicam ao homem a Sua real essência. Estas teofanias consistiam em manifestações incorpóreas de aparência humana, transitórias, e em localizações permanentes.
Conclusão
Deus não pode ser percebido pelos sentidos humanos, pois é espírito eterno, infinito e invisível, mas pode ter comunhão com o homem. Não é necessário um lugar especial para adorá-lo, pois Ele está em toda parte, plenamente presente e ativo.Por Deus ser Espírito, o homem só pode ter comunhão com Ele através de um espírito vivificado por Cristo (1Jo 1.3). Ele não é um corpo material e, portanto, olha para o coração, para os sacrifícios de um espírito quebrantado mais do que a beleza de templos ou o esforço de qualquer ação externa. Isto Ele não desprezará (Sl 34.18; 51.16,17). Para termos comunhão com Ele, devemos ter o espírito da nossa mente renovado (Jo 3.5; Ef 4.23). Nunca podemos ser unidos a Deus senão em um espírito vivificado por Cristo.
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